Um calor imenso invadia aquela manha, agitada, ela se levantou da cama e foi preparar o café. Antes, olhou pro marido ainda deitado na cama, e parada ficou por alguns instantes. Foi pra cozinha, esquentou a água, preparou o café, esquentou o pãozinho, o leite, tudo perfeitamente.
Em poucos instantes, seu marido levantou e foi atrás dela. Deu-lhe um beijo de bom dia, pegou o jornal, sentou-se a mesa e tomou seu café-da-manhã.
Ambos a mesa, cada um em seu canto. Tantos anos de conhecimento, mas nada suficiente pra se iniciar uma conversa. Às vezes ela tenta, mas nunca e ouvida.
A rotina diária trouxe aquele casal uma certa solidão, mesmo morando na mesma casa, se esbarrando o tempo inteiro, não há mais prazer, não há mais porque para eles se olharem, conversarem, se amarem.
Agora já esta tarde. O sol invade a sala, incomoda os olhares, desvia a atenção. Ela levanta, vai fechar a cortina e vê naquela janela tão grande, o sol se pondo, as pessoas conversando, um casal a namorar, crianças brincando. Por detrás da janela, fixa seu olhar no nada, no vazio, seus pensamentos voam longe e como se não pudesse controlar, uma lagrima escorre por seu rosto. A imensidão do seu pensamento, leva sua vida a lugares extintos, e então, corroendo as magoas e lamurias deixa a cortina, e sai.
Agora fixa seus olhos na televisão. Vê sua vida passar naquela tela. Imagens felizes a enche de esperança. E então, sorri. Um sorriso tão escondido quanto aquelas imagens em sua mente.A rotina diária de sua vida, a transformara em seu maior pesadelo, em tudo aquilo que nunca imaginou ser.
E da bela tarde, chega a noite. Deitados na cama, tão sem jeito e tão sem pudor, tenta agora um carinho, uma maneira de chegar perto de seu homem e se sentir mulher. Virado de um lado, ela de outro. Já não consegue mais um agrado, nem agradar. Tudo parece tão intenso e passageiro naquela noite de sono.
Seu marido, observando o seu desejo, insiste em tentar conquista-la, mas e inútil, juntos naquela cama, eles só se magoam, só se machucam e insistem em algo que já não da mais prazer, já não da mais para se ter.
Então, insatisfeita com todas as tentativas, ela resolve deitar e dormir. E em seus sonhos, o príncipe encantado aparece para salva-la. Todo amor da a ela. A liberta, a seduz, a possui e a ama tão loucamente, tão surreal quanto aquele sonho febril. É na noite que se realiza, é na noite que a fantasia domina sua vida e aquela rotina é esquecida e o prazer volta a invadir sua alma, seu coração e sua atenção.
Mas o fim chega logo, é preciso acordar e voltar a rotina. O relógio já despertou. O marido já levantou. A semana começa agora e é preciso levantar pra fazer o café.
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